Estrada de ferro com quase 200 quilômetros segue parada há anos — Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1

Consórcio internacional sinaliza interesse em retomar exploração de minério no Amapá

Depósito 'simbólico' de R$ 9 milhões foi feito para investir na atividade deixada pela Zamin, que soma mais de R$ 1 bilhão em dívidas.
Por Rede Amazônica — Macapá - 19/07/2019 06h40 

Duas empresas inglesas se uniram visando retomar a exploração e exportação de minério de ferro no Amapá, atividade suspensa desde 2013 após o desabamento do porto de Santana e posterior crise da mineradora Zamin, concessionária do serviço e que acumula dívida bilionária com trabalhadores, empresas e bancos.

A multinacional inglesa Cadence, que atua na fabricação de eletrodomésticos e com minério, assinou parceria com a Indo Sino, uma negociadora de Singapura, e depositou em juízo 2 milhões de dólares, mais de R$ 9 milhões, como forma de demonstrar interesse no projeto.

A intenção do consórcio é assumir toda a atividade, incluindo a recuperação da estrada de ferro, do porto e quitação das dívidas da Zamin, 85% delas com bancos.

A história da exploração do minério de ferro no Amapá começou com a Indústria e Comércio de Minérios (Icomi), na década de 1950. O projeto foi vendido pra MMX de Eike Batista, depois Anglo Ferrous e por último a Zamin, onde foi interrompida.

No processo de transferência da Anglo pra Zamin, o chamado Sistema Amapá entrou em colapso. O porto desabou em março de 2013, o mercado entrou em queda e a estrada de ferro foi desativada.

Os credores da Zamin, que entrou em recuperação judicial em 2017, encaram com otimismo a proposta, reforçada após o depósito, que é tratado como simbólico para demonstrar a vontade em seguir com a atividade.

"É o primeiro dinheiro que se vê desde 2015, nada sequer foi depositado nesse projeto. Isso é um valor insignificante para o valor da dívida, mas é um gesto para assumir o projeto", classificou o advogado Ricardo Oliveira, presidente do Conselho de Credores da Zamin.

O que motivou o consórcio para investir e recuperar quase do zero o setor mineral do Amapá foi a valorização internacional do produto, que teria aumentado seu valor em até 300%.

"Tivemos uma valorização do minério de ferro, esse preço pelo menos triplicou, e, estando o minério de ferro valorizado, acho que a partir dessa situação as empresas fizeram uma avaliação da viabilidade econômica e decidiram assumir esse projeto", completou Oliveira.

O depósito de R$ 9 milhões foi feito em 11 de junho. A assembleia geral de credores tem até 20 de agosto pra aprovar o projeto das empresas. A primeira exigência é quitar à vista as dívidas trabalhistas. Não há prazo para retomada da exploração.

-

fonte: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2019/07/19/consorcio-internacional-sinaliza-interesse-em-retomar-exploracao-de-minerio-no-amapa.ghtml